Quem Sou Eu?
Gabriel, quase 30. Marido, professor, agitado e fã de tela (tela, telona e telinha) graças à paixão por filmes e séries que herdei do meu pai. Eu amava quando ele chegava em casa com os DVDs da locadora: Indiana Jones, Os Três Patetas, De Volta Para o Futuro e outros clássicos. Mas claro que vimos uma série de filmes ruins também — locar filme era uma roleta-russa, às vezes a gente não dava sorte. Meu velho sempre foi ligado em tecnologia. Em função do trabalho, logo que os primeiros computadores foram lançados ele já estava futucando as máquinas, instalando programas com inúmeros disquetes e me enchendo de curiosidade. O barulhinho da internet discada e os celulares enormes de antigamente fazem parte das minhas memórias de infância.
Com a minha mãe aprendi a amar música. Os programas de calouro na TV, as canções que ela encontrava nos livros da escola e os louvores da igreja montavam a trilha sonora da casa. Conheci Chico Buarque e Cazuza sem saber seus nomes e, ao mesmo tempo, conheci a ficha técnica de inúmeros álbuns através dos encartes que acompanhavam os CDs. Como eu amava levar a caixa de som para o meu quarto e ficar horas ouvindo música. Não só música, tínhamos uma coletânea de narrações do Cid Moreira lendo a Bíblia que pareciam até filme de terror com aquele vozerão. Quem poderia imaginar que todos aqueles CDs se tornariam obsoletos em tão pouco tempo?
Tenho quase 30 e agora penso nas memórias que meus futuros filhos terão. Eu, que namorava por SMS e pelo orelhão da minha rua, terei filhos que vão fazer videochamadas com os avós na Bahia antes mesmo de aprenderem a falar.
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